Veja o que os especialistas falam sobre o mercado de alimentos alternativos

Hoje em dia, se alimentar bem é uma escolha que muita gente tem feito por diversos motivos. Pode ser pensando no futuro ou até mesmo por necessidade. Com isso, aumentou muito a importância do mercado de alimentos alternativos.

Aliás, esses são alimentos que vão na contramão do que era comum, como o consumo expressivo de carnes. Além disso, cresceu o número de intolerantes a vários ingredientes, o que faz nascer novos produtos, como os sem glúten ou sem lactose, por exemplo.

Além dos intolerantes e da escolha da melhoria de vida das pessoas, ainda temos o fator saúde. Por exemplo, quem é hipertenso deve evitar o uso de sódio e quem tem diabetes tem que controlar o açúcar e assim por diante.

Por outro lado, o alérgico ou intolerante precisa consumir itens isentos de glúten ou lactose, respectivamente. Sabendo disso e vendo essa nova realidade, muita gente começou a pensar em empreender na área de alimentos.

O mercado végano

A gerente de nutrição e desenvolvimento de produtos do Mundo Verde é a Flávia Morais. Ela cedeu uma entrevista recentemente para falar um pouco sobre o mercado vegano.

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Ela diz que esse é um estilo de vida que busca excluir, na medida do possível e praticável, todas as formas de exploração contra os animais durante as atividades do dia a dia. Isso vale para a alimentação, o vestuário e qualquer outra finalidade.

Veja as palavras dela: “normalmente, os adeptos têm motivações para isso. O aumento do acesso à informação e a consciência podem motivar o crescimento desse mercado”, pontua.

Portanto, considere que é um mercado com crescimento exponencial e que vem ganhando o espaço do setor de produtos animais – portanto, é algo relacionado: aumenta-se o número de produtos que evitam o consumo de animais e, assim, diminui a venda de produtos animais.

Mas, esse é um bom mercado?

Victoria Treu é a gerente de Marketing da Violife, que fabrica queijos da Grécia para quem é intolerante à lactose e para veganos, também fala sobre esse assunto, inclusive, sobre a possibilidade de pensar em empreender no mercado de alimentação alternativa.

“É uma parcela emergente da população, que ele traz maiores retornos a curto prazo. O resultado são oportunidades para novos negócios e novos produtos também”.

A especialista também fala do benefício financeiro, sendo que o “veganismo tem um apelo social, ambiental e ético muito forte” e isso acaba atraindo empresas que buscam foco na gestão responsável.

Sobre o mercado de alimentos alternativos, ela também vê o vegano como referência. “Em resposta, a tendência vegana está crescendo com muita força. Assim como aqueles que não são veganos, mas simpatizam com os produtos e consomem alternativas a produtos animais”.

Os novos produtos

Muitos empreendedores já notaram a importância desse grupo de pessoas, que forma um mercado exponencial. Inclusive, porque estamos falando não apenas de veganos, mas também dos intolerantes à glúten, lactose, etc.

Isso quer dizer que o setor de alimentos vem se adaptando e inovando para atender à demanda crescente de consumidores: bebidas, iogurtes, queijos, carnes, substitutos de ovos à base de vegetais.

De modo geral, eles são produtos que despontam em vários supermercados e tornando-os mais disponíveis para a população. Um bom exemplo desses novos produtos que a gente pode citar é o hambúrguer gourmet vegano.

Atualmente, ele vem aspecto e textura de carne e é vendido, entre tantas empresas, pela Superbom, uma indústria de produtos saudáveis.

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“Investimos R$ 9 milhões em tecnologia durante um ano na formulação e nas embalagens para aumentar o tempo de validade do produto sem utilizar nenhum aditivo químico. Assim, a gente consegue manter as características do hambúrguer”, explica David Oliveira.

Cosméticos?

Além do mais, temos outro mercado em crescimento e que merece atenção, que é o de cosméticos, produtos de higiene e maquiagens. Se você não sabe muito bem do que estamos falando, a gente vai apresentar algumas ideias novas que o mercado recebeu.

Por exemplo, a marca de cosméticos Simple Organic. Ela nasceu com o propósito de oferecer opções 100% orgânicas, veganas, naturais, cruelty free e sem gênero para o público. Veja o que diz Patricia Lima, especialista em beleza natural e fundadora da empresa.

“Caiu o estereótipo de vegano radical, de que pessoas veganas são difíceis ou que é um setor nichado. Temos um público muito mais amplo, que começa a ter uma percepção sobre essa questão e adota um consumo vegano, adaptando o seu estilo de vida”.

A consciência sobre o impacto do consumo

E para fechar esse artigo, que é sobre o mercado de alimentos alternativos e as possibilidades de empreender, a gente vai trazer informações sobre a consciência do público, que começou a pensar bem mais na sua forma de consumir.

Ao menos, é isso que analisou o sócio fundador da Casa Graviola, Abner Lopes. Para ele, o Brasil, assim como o mundo todo, está vivendo a era da informação. Com isso, as pessoas estão cada vez mais conscientes sobre o impacto do seu consumo.

Nas palavras dele: “com isso, novas ondas de conscientização na área de alimentação e de todos os mercados têm crescido bastante”. Inclusive, ele cita um dado interessante das suas franquias: na rede toda, 22% do faturamento dos pratos vendidos são veganos.

E ele diz que essa parcela do público é bem exigente. “É preciso ter transparência no modo de preparo dos alimentos e em como as informações de composição e produção são inseridas porque eles leem tudo e se informam para manter-se dentro de seu propósito”.

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Selo Vegano: a certificação dos produtos

Para os curiosos do mercado de alimentos alternativos, saiba que a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) certifica todos os produtos livres de ingredientes e testes em animais através do Selo Vegano.

Essa certificação ocorre após rígida análise das matérias-primas e processos que envolvem a produção dos produtos. Conforme diz a associação, os produtos com Selo Vegano são os preferidos desse público por representar confiabilidade e segurança.

Curiosamente, uma pesquisa do The Good Food Institute feita em todas as regiões do Brasil em 2018 mostrou que uma parcela importante desse público compra em empórios de produtos naturais. Em sua maioria, o público é mulher, de 25 a 45 anos, classe AB.

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